Vinha caminhando pela rua
Quando uma moça bonita eu vi
Aí eu disse que vinha
Vinha caminhando pela rua
Quando uma moça bonita eu vi
Com sua sandália de prata, sua saia dourada, ela sorriu para mim.
Eu perguntei a ela onde fica a sua morada
Ela respondeu assim pra mim
Moro numa estrada sem fim
Moro numa estrada sem fim
Fundamento do ponto
Este ponto nos leva ao encontro de Maria Padilha da Estrada, uma das mais encantadoras e poderosas manifestações femininas dentro da Linha de Esquerda da Umbanda. A imagem da moça que surge repentinamente na rua, bela e resplandecente com sandálias de prata e saia dourada, remete ao poder do encantamento, à força da feminilidade que transforma, atrai e guia os caminhos.
A resposta que ela dá — “moro numa estrada sem fim” — é profundamente simbólica. A estrada, para Maria Padilha, não é apenas um local físico, mas o próprio caminho do destino, da transformação e do livre-arbítrio. Ela habita os encruzilhadas da vida, onde decisões são tomadas, onde ilusões se desfazem e onde verdades se revelam.
Padilha da Estrada é senhora das escolhas e dos encontros. Seu sorriso é ao mesmo tempo desafio e bênção. A prata e o ouro de suas vestes representam o equilíbrio entre o mundo material e o espiritual, entre o desejo e a sabedoria. Ela não prende, mas liberta. Não obriga, mas ensina. Seu domínio sobre os caminhos nos convida a olhar com mais atenção para o que buscamos nas nossas travessias.
Este ponto é uma saudação e uma evocação àquela que aparece nos caminhos para despertar a consciência e oferecer, a quem está pronto, uma nova direção — mesmo que essa direção leve a uma estrada sem fim, onde o aprendizado é eterno.
Salve Maria Padilha da Estrada! Laroyê Exu!